domingo, 30 de setembro de 2012

Para quem está caindo aqui de gaiato, esse blog vai apresentar alguns contos e histórias bem pequenas (no geral, apenas cenas aleatórias) que me darem na telha de escrever!

Por tanto, serão mesmo cenas sem sentido algum, apenas ações de personagens ou situações inusitadas (ou nem tanto). E porque eu decidi fazer isso? Porque eu quis!

Porque, para uma mente de escritor, escrever é um alimento importante. Porque eu penso em escrita 24h por dia. Porque, sempre que estou fazendo algo, fico imaginando como seria escrever essa ação e como ela se encaixaria num livro.

Isso aqui seria basicamente um acervo de infinitas cenas e contos que me passarem pela cabeça. Então, se não gosta, suma daqui. Se gosta, suma também! [-Q]

           Parecia-se muito com um consultório médico, ou uma sala de hospital qualquer. Era amplo e bem espaçoso, de paredes e azulejos brancos que deixavam o lugar mais claro com a iluminação. Ao longo do teto, várias lâmpadas pendiam e algumas piscavam sofrendo com alguma interferência elétrica em suas redes.

           Espalhados pelo lugar, várias macas de metal vazias, algumas sujas de sangue, esperavam para serem usadas. Cada vez mais o ambiente se parecia com um hospital, sentindo o cheiro de naftalina e mais algumas coisas indefinidas – produtos de limpeza, soro, mofo, etc. Estavam em lugares aleatórios, sem uma cortina ou manta para demarcarem seus devidos lugares; enquanto, de um lado estava uma janela trancada a cadeado e com tábuas vedando-a totalmente, do outro havia uma mesa de pedra polida, salpicada nas cores prata e cinza, destacando-se mas cabendo perfeitamente na fria sala. Em cima dela, vários objetos aguardavam ansiosos para serem usados.

           O rapaz, cujo jaleco já fora um dia impecavelmente limpo, ajeitou os óculos no rosto e aproximou-se. Avançou por sobre a bancada, alcançando longe o objeto metálico. Sorriu, observando como ainda estava polido e reluzente, como se nunca tivesse sido usado. Passou o dedo pela fria lâmina do bisturi, constatando o pequeno corte que havia provocado em seu dedo, levando-o aos lábios antes que a gotícula escarlate de esparramasse no chão.

           Virou-se para a maca mais próxima dele. Olhou para a mulher ali, repousando, de órbitas arregaladas para si. Sorriu mais uma vez, contemplando-a como se fosse um quadro, uma obra de arte inacabada. Sentiu a mesma satisfação que sentem os artistas a darem prosseguimento aos seus “filhos”, chegando até mesmo a dar água na boca.

           -“Eu a imagino deitada, dormindo.” – Recitou a primeira frase de um poema que sempre se lembrava naquelas ocasiões. – “Dormindo, porque não morta. Dormindo, porque imaginá-la fora da aridez do sono, é demais.”.

           Aproximou-se cousa de um passo e a moça estremeceu, gemendo com a mordaça a vedar-lhe a voz. Moveu-se o que pôde, tendo pulsos e calcanhares amarrados cada qual em suas respectivas pernas da mesa. As grossas cordas já haviam marcado a pele branca, deixando fortes vergões sanguíneos.

           -Se eu a deixasse assim, com o frio que está fazendo aqui dentro, estaria morta pela manhã, com o corpo amortecido. Seria doloroso e agoniante, não acha?

           Olhava-a curioso, mas ela apenas gemeu baixinho mordendo o grosso pano enrolado que lhe prendia a língua. As lágrimas retornaram para seus olhos, molhando mais uma vez a face corada.

           -Shhh, não faça isso... – Disse de forma suave, como se quisesse acalentar uma criança que acabou de perder um doce. – Se prometer se comportar, eu prometo ser rápido... Ou não... Mas ainda tem uma chance, melhor ser uma boa menina!

           Deu um meio-sorriso sádico, aproximando ainda mais dela, passo ante passo. Ergueu o bisturi no ar e tocou a pálida tez que  moça tinha.

           -Pra que esperar mais? Vamos começar os exames...